RECEITA PARA UM ADVOGADO DE EXCELÊNCIA

A palavra Excelência é muitas vezes confundida com perfeição, mas o seu real significado não é esse. Excelência significa o comprometimento com a realização, procurar dar o seu melhor em toda obra que colocar as mãos ou fazendo uso do seu intelecto. Para o caso da advocacia, aplica-se o segundo caso, o advogado faz uso do intelecto, pois o seu trabalho é uma prestação de meios e não de resultados.Prestação de meios, significa que ele deve usar da lei e de todos meios possíveis para resolver determinada questão. Mas neste exercício, não tem como garantir qual será efectivamente o resultado que será obtido. Principalmente quando se trata de casos cujo cenário de resolução é o tribunal, existe sempre a parte contrária, que pode ser o Ministério Público ou outro advogado colega. É assim que deve ser visto, nunca como um adversário a ser combatido.
Por outro lado temos o juiz, que decide de acordo com a lei e com a sua consciência, mas não obstante, o advogado ainda pode ter uma prestação excelente. Vejamos então os três ingredientes que formam a receita para esta finalidade, nomeadamente: Gostar de ler e saber interpretar, não comportar-se como uma ilha e estar sempre actualizado.


1. Gostar de ler e saber interpretar

Em Direito, a lei que condena é a mesma que absolve, e a aplicação desta lei para uma ou outra finalidade, depende da interpretação que é feita sobre a mesma. Por isso, para que a melhor interpretação seja feita, a leitura é imprescindível. Aqui também entra em jogo a conjugação de uma lei com outras da mesma área. Por exemplo, se o instituto jurídico em questão for a prisão preventiva, o advogado não pode se limitar apenas ao Código Penal ou Código Processual Penal. Deve também consultar leis avulsas sobre a matéria e outros diplomas legais incluindo a Constituição. Da leitura e interpretação feita à determinada norma, dependem a condenação ou absolvição, o sucesso ou insucesso.


2. Não se comportar como uma ilha

A principal característica da ilha é o isolamento, que em muitos casos condiciona o seu desenvolvimento e civilização. Da mesma forma, o advogado que se isolar de colegas que podem lhe prestar auxílio quando necessário, corre o risco de falhar cedo ou tarde. É necessário pedir uma segunda opinião, porque alguns casos exigem que se proceda desta forma.
Visto que existem casos perante os quais o advogado tem total domínio, e outros que necessita de auxílio, pois seu domínio é limitado. São estes que requerem uma segunda opinião, e assim sendo, deve ter a iniciativa de solicitar tal opinião perante colegas de profissão e absorver o conhecimento dispensado, para melhor actuar em uma situação semelhante no futuro.
É necessário que o advogado considere, que estão em jogo os interesses de seu cliente e não próprios. Uma segunda opinião não apenas aumenta a probabilidade de resolver o caso com sucesso. Mas também permite que o advogado seja útil para outros colegas, ajudando na resolução de casos semelhantes.


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3. Estar sempre actualizado

Sobre tudo no que diz respeito às mudanças da legislação, melhores práticas na resolução de alguns casos e celebração de negócios jurídicos, é preciso manter-se actualizado. Mas o que vai impulsionar a manutenção deste ingrediente, é a prática mencionada anteriormente, se o advogado comunica com colegas, é muito mais fácil permanecer actualizado.
Fazer parte de grupos profissionais, pode ser em redes sociais ou associações com a mesma finalidade. Acompanhar noticiários de âmbito profissional e buscar informação sobre a área.
Estes três ingredientes formam a receita para um advogado de excelência, podemos acrescentar outros, mas estes são os principais. Apesar de serem bem simples, determinam entre uma actuação bem sucedida e mal sucedida, ou seja, entre a excelência e a mediocridade.
No seu ponto de vista, quais outros ingredientes ou requisitos são essenciais para que o advogado actue com excelência?